A chuva lá fora e o café sobre a mesa, já frio. O nítido som da guitarra de fundo, um velho rock'n'roll, som baixo, aquela fita tocando. Alguns papéis com escritas que logo achariam seus lugares na gaveta, pouca luz. Nostalgia. Eu não acreditava no amor, épocas em que o amor não era muito meu amigo me levaram a crer que relacionamentos não nos levariam a lugar nenhum, a não ser a dor. Trocou-se a música. Você começa a pensar e, em pensamentos perdidos que não o leva a lugar nenhum, se embala num monte de sonhos que acabarão um dia sendo soterrados, nada aquilo é real. Eu só queria não acreditar nisso. Eu queria ver a vida de outra maneira, e eu, logo eu que me julgava tão forte e auto-suficiente, vi que eu preciso de um outro alguém. E eu quero querer esse outro alguém, quero mais do que tudo. Eu não quero um rosto bonito, eu não quero o menino mais popular, o mais lindo. Eu só queria alguém com o qual eu pudesse me identificar, alguém que estivesse comigo por realmente querer estar. Eu queria alguém que gostasse de ficar comigo o tempo todo mas, em algum tempo desse tempo todo sentisse necessidade de estar com outras pessoas, permitindo-me também estar com outras pessoas. Eu queria alguém que definitivamente só tivesse olhos pra mim, mas que não por isso não visse beleza me outras mulheres. Eu queria alguém não só parar "dar uns amaços", mas alguém que eu pudesse conversar, compartilhar meus gostos, minhas vontades, e ouvir seus gostos e vontades. E por que não dentre tudo isso encher de beijos? Queria alguém que reconhecesse minhas qualidades, mas que também apontasse meus defeitos e que, mesmo com todas essas qualidades e defeitos me amasse irregoravelmente. Queria alguém para me fazer rir, mas também pra me fazer chorar. Alguém com o qual eu brigasse e ficasse dias comendo chocolate e desabafando com qualquer amiga, mas que, dias depois nos encontrássemos de novo e percebêssemos que os momentos bons são maiores que todas as brigas. Alguém para fazer coisas patéticas, alguém pra tocar violão, pra passear, viajar, pra ver as coisas mais simples da vida como uma bela noite estrelada. Essa pessoa não precisaria fazer minha mão soar toda vez que à visse, não precisaria fazer eu sentir borboletas no meu estômago. Ela só precisaria fazer com que eu sentisse que ela é a única que realmente importa, em todo o mundo. Um só querer o outro e um se sentir completado para o outro.A música acabou e, num intervalo de três segundos até a próxima música, despertei-me pouco a pouco daquele sonho que se sonhava acordada, a chuva lá fora parou e tomei um gole daquele frio café, com gosto de remédio. Eu não podia ficar naquele momento pra sempre. E eu continuo sem achar aquilo que procuro.

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